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JS4100 PMDG

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capa

Uma “avis rara”, assim defino o British Aerospace JetStream Series 4100. Tão rara, que pelo que me consta aqui no Brasil nunca foi registrada sua aparição, portanto falar dela é total novidade.  
Na aviação real foram muito poucas unidades produzidas, porém ainda é presença em todos os continentes. Na América do Sul atualmente voa nas cores da colombiana EasyFly e da venezuelana Venezolana.
Em se tratando de add-on para o Microsoft Flight Simulator, certamente figura lá embaixo na preferência do simuleiro do nosso país. Tem como concorrente o EMB120 Brasília, produzido pela nossa Embraer, que (ao meu gosto) é muito mais bonito, mas a PMDG recriou o britânico para o MS Flight Simulator X e me dediquei à este review para, quem sabe, apresentá-lo aos leitores.


COMPRA

No site do desenvolvedor, através de download, via cartão de crédito internacional. Nenhum mistério. Após aprovada a transação, lhe é apresentado um link para baixar o arquivo instalador.
Preço: US$ 44,95


INSTALAÇÃO

Prática e rápida, através do executável, em segundos o add-on está pronto para uso.
A novidade é um novo sistema de ativação on-line, que pede o código quando você abre a aeronave no FSX. Este código aparece na página de confirmação após a compra e pode ser acessado pelo login no site da PMDG.

*A versão deste review já está com o SP1 instalado.


MANUAIS

O JS4100 vem com 4 arquivos PDF:

  • PMDG BAe JS4100 Flight Operations Manual (Manual de Operações)
  • PMDG BAe JS4100 Flight Tutorial
  • PMDG BAe JS4100 Introduction and Overview (Apresentação do Add-on)
  • PMDG BAe JS4100 Normal Checklist

manuais

Senti falta (novamente PMDG!?) das tabelas de performance, mas o manual de operações é excelente. São 543 páginas muito bem diagramadas com todas as informações necessárias para você domar a aeronave, descrição do funcionamento dos sistemas, aviônicos, operação do piloto automático, FMS, além do checklist de operação normal completo. Há também o checklist para condições anormais, se tiver problemas siga o checklist ;) .
O tutorial deve ser feito juntamente com o Manual de Operações, pois existem muitas referências a ele. Leia cuidadosamente, especialmente a operação dos motores, pois o tipo que equipa o JS4100 é diferente dos conhecidos PT6. Mais adiante entrarei em detalhes.


CONFIGURAÇÕES

Pra voar legal, tem que configurar!
A primeira coisa a ser feita pra quem não possui um PC da NASA é ajustar o Configurator Manager, pois os settings padrão exigem demais do PC. Diminuindo a resolução da textura dos displays e a taxa de atualização das telas, é possível ter uma performance muito boa sem afetar a qualidade. "High Definition Displays" (Alta Resolução) não cai muito bem em resoluções de vídeo não muito altas, portanto é até aconselhavel utilizar "Normal Resolution Displays" (Resolução Normal) se você utililza resoluções de vídeo "padrão". Isso reduz bastante aquele efeito dos instrumentos "piscarem" quando você muda a visão.
Existem duas opções de cor do painel, uma cinza e outra bege.

painel painel


Há também a possibilidade de ativar/desativar o "fogo nos motores", pois é comum ao “marinheiro” de primeira viagem derreter os Garret TPE331-14 nos primeiros vôos. Se errar o procedimento, é batata e fumaça, muita fumaça!
A performance depende também do PC de cada um, mas acredito que até configurações não tão "parrudas" podem rodar satisfatoriamente o JetStream, sacrificando a parte gráfica do simulador. Lembre-se que você estará no FSX, operando uma aeronave no VC. Quando disse "satisfatoriamente", é uma questão pessoal, ou seja, para mim 20fps já pode ser considerada uma performance satisfatória, mas cada um tem seu gosto. Se ainda não teve boa experiência com frames neste simulador, ou se a sua máquina realmente está muito defasada, fique no FS9 mesmo. As questões de configuração do FS e dos computadores já foram exaustivamente discutidas em vários tópicos neste fórum e internet afora.
Abaixo segue como está configurado o meu CM, note que ajustei os EHSI/EADI da direita (Co-piloto) com apenas 6%. Isso quer dizer que o frame-rate dos referidos displays serão atualizados bastante devagar, beneficiando a performance.
Uma informação bastante pertinente que obtive no fórum da PMDG é que os 100% significam 18 frames por segundo, então os 6% são relativos à essa taxa de atualização dos displays, que nos dá 1fps. Como 99% dos meus vôos ocorrem no painel da esquerda (baita comandante hein!?), os displays da direita são apenas para “enfeite”.

cm


PAINEL


painel painel
painel
painel

Pelas screenshots já dá pra perceber a qualidade das texturas, as imagens falam por si. É impressionante o nível de detalhes que a PMDG alcançou, a nitidez dos instrumentos e a boa performance (se bem configurado o FS e o Configuration Manager). As telas e alguns instrumentos possuem até poeira, arranhões, sujeiras e marcas de dedos (impressões digitais), e são todos modelados em 3D. Mesmo com bastante "zoom" as texturas continuam nítidas.
O JS4100 só possui VC e isso assusta a quem (como este que vos escreve) prefere o 2D para operar switches e knobs. Os únicos paineis 2D pop-up são o FMS, o RMU e piloto automático, mas com o tempo e a prática a gente começa a se sentir confortável no VC. Para quem possui o TrackIR ou similares, falicita demasiadamente, além ser mais realista. A aviônica do JS41 é moderna e bem "organizada", rapidamente você se familiariza no cockpit.

ap rmu
fmc

Para gerenciar fonte externa, portas, protetores de motor e pitot, carrinho de bagagem e outros pormenores, existe o Ramp Manager, ativado pelo atalho Shift+2. Basta clicar para ativar/desativar a opção.

configurador

O que falta é um radar meteorológico, que a PMDG parece estar desenvolvendo em silêncio. Embora exista a possibilidade de integração com o RealityXP (na pasta "Panel" já vem um arquivo ".ini" pré-configurado para tal), pra quem não possui este add-on acaba ficando salgado o conjunto da obra. Outra opção é o radar da Captain Sim, que além de muito mais barato funciona maravilhosamente bem.

radar

Uma coisa bastante interessante é a Loadsheet, que permite adicionar passageiros (que se mechem!) e cargas sem precisar ir à menus ou utilizar "load managers". Na própria planilha ao lado esquerdo do comandante você efetua as mudanças em tempo real. Precisa cuidar apenas do abastecimento, que deve ser feito pelo menu do FS, e não esquecer de alterar o valor na loadsheet, para que os cálculos de performance fiquem corretos.

loadsheet
vspeesds

O manual de Vspeeds também é interessante, mas eu ainda prefiro eles impressos na minha mão hehehe. O que, claro, está presente em um dos manuais em PDF, portanto já os tenho impressos.
A iluminação interna é de babar! São 7 switches diferentes, que controlam individulamente cada tipo de iluminação. As imagens explicam melhor...

ilumi ilumi
ilumi ilumi

SOM

A atmosfera no cockpit é fantástica! Nunca estive em um cockpit de JS4100, mas o fato é que os sons lhe fazem acreditar que você está em uma cabine de avião, lhe fazem crer que realmente apertou, girou, empurrou alguma coisa. Os barulhos dos switches, dos botões, dos avisos e "warnings", o som dos motores, o som característico do sistema anti-travamento do altimetro, enfim...um dos principais aspectos da simulação é o som e o JS4100 da PMDG não decepciona.
Como já é de praxe na maioria dos bons add-ons, o co-pila canta as velocidades e anuncia algumas ações, como o destravamento da Start Lock (coisa de Jetstream hehehe), a posição da "condition lever" (passo da hélice) entre "full flight" e "taxi".
Os sons externos também são bastante convincentes, contando com os novos recursos de ambientação 3D do FSX, que dão realismo total. Se você tem a visão à frente da aeronave o barulho dos moteres é um, se está com a visão atrás é outro, exatamente como na realidade.
Notei um problema ocasional em que quando mudo a visão, o som dos motores parece “sumir” (inversão de fase?). A solução para o problema é desligar e ligar o som do FS pela tecla “Q”.


FDE

Não sou piloto real e nunca voei um JS4100 como passageiro, portanto é impossível fazer qualquer comparação. Me atenho à dados contidos no manual e informações pesquisadas na internet. Isto posto, concluo que o JS41 voa muito bem, sua performance de subida é condizente com o tipo de aeronave e de acordo com o que li, ele é bastante dificil de reduzir. Algo comum em bimoteres turbo-hélice desse porte e segundo o Robert Randazzo, fundador da PMDG e ex-piloto do modelo, ao voar o JS você deve ter como lema: "Slow down and go down", traduzindo - "Reduza (a velocidade) e desça". É assim que você deve operar o Jetstream para fazer uma boa descida, uma boa aproximação e um pouso perfeito. Planejar o uso correto dos flaps também é requisito para uma operação bem sucedida. Respeite as velocidades e não terá problemas. Alguns poucos (e curtos!) vôos em rota já são suficiente para entender totalmente o funcionamento do avião.
O vôo manual é muito prazeroso, a aeronave se comporta de maneira extremamente estável e cuidando da operação dos motores é muito difícil "se perder".
Para quem está habituado ao EMB120 Brasília, manejar o Jeatstream não deve ser muito diferente, com exceção dos motores.
A formação de gelo, que é um evento visível, tanto nos bordos das asas, quanto no leme e profundores, além do bocal do motor e no nariz, também afeta a performance. Quando ocorre e não é “remediada” é praticamente impossível continuar a subida.

gelo gelo
gelo


MODELO EXTERNO

Pra mim o que menos importa nas aeronaves para FS é o modelo externo, então não me atenho muito ao visual da modelagem. Claro que gosto de um avião bem modelado, porém se faltar um rebite na junção da asa não ficarei triste hehehe.
O JS41 é uma bela modelagem, basta compará-lo às fotografias dos sites especializados para verificar que tudo está nos conformes, nas devidas proporções e ainda com alguns detalhes para atender aqueles que gostam de cada rebite no seu lugar.
O SP1 inclui ainda um modelo do JS41 específico do governo de Hong Kong, o qual não cheguei a instalar.

externo externo externo
externo externo externo


PINTURAS

O JS41 vem com duas “pinturas” disponíveis na instalação. Uma é a da própria PMDG e outra é aquela pintura “verde”, que na verdade é a camada anterior a pintura das aeronaves, chamada de “prime”. Como é de praxe, no website do desenvolvedor há ainda diversas outras texturas de cias que já operaram e ainda operam o Jeatstream. São 23 no total.

ave
ave


MOTORES

motor

Esse é um capítulo especial do JS41, pois seus motores exijem cautela na operação. Ao contrário da maioria dos "turbo-props" mais conhecidos (ex.: PT6), de turbina livre, este é equipado com motores Garret TPE331-14 de turbina direta. O acionamento é feito com as hélices totalmente "planas", já que não permancem embandeiradas enquanto o motor está desligado.
Após acionar, você deve retardar a manete de potência até destravar o sitema chamado de “Start Lock” e posteriormente voltar a posição idle. Aliás, no corte você deve trazer as manetes de para a posição totalmente reversa assim que o RPM cair abaixo de 50%, para justamente "desembandeirar" as hélices e acionar a Start Lock, que as trava na referida posição.
Em vôo deve ter muito cuidado com o EGT, pois seus limites variam com a TAT e pressão. Ao acionar os sistemas anti-gelo (de uso muito frequente!), o EGT sobe e é preciso antecipar esse evento, tirando um pouco de potência, para que a temperatura limite não seja atingida. No começo eu extrapolei os limites por diversas ocasiões, mas com a prática e uma boa “disciplina” virtual dá pra fazer direito. Olho no EGT!

egt

Voando em condições de formação de gelo, devido à redução de potência, a perda de performance é notória. Haja paciência, pois a aeronave vai passar a subir em uma razão muito baixa, mesmo no limite de operação do motor. Por isso é importante planejar bem o vôo, escolhendo um FL adequado. A consulta meteorológica é obrigação!
Após o pouso, você deve passar a manete de passo para a posição “taxi”, pois se continuar em “flight” os motores vão tostar.

DESEMPENHO (FPS)

Falar sobre desempenho no FSX é bem complicado, pois o que pra uns é bom pra outros não é. Pra mim voar com 20 frames por segundo, porém com fluidez é totalmente aceitável.
Na minha configuração, Core2Duo E6750 2.66GHz HD250GB Geforce9800GT 1GB Memória 2GB DD3 1280x1024 Monitor 17” eu consigo ficar em uma média de 23fps no JS41 (medida pelo FRAPS). A performance realmente pesa quando há tráfego e céu carregado, chegando à 12fps em alguns momentos durante uma aproximação final em EGLL, por exemplo. Como não costumo voar para aeroportos muito movimentados e deixo meu tráfego AI desligado, ou no mínimo em algumas ocasiões, posso dizer que a performance é muito boa. Em geral a mínima fica em 17 e em vôo estável à 29.

Screenshots diversas:

ave ave ave
ave ave ave
ave ave ave
comcarga semcarga ave
asa asa ave


CONCLUSÃO

Tendo em vista que a aeronave não é popular no Brasil, penso que é difícil agradar aqueles que gostam do feijão-com-arroz dos nossos céus. Porém há um lado positivo em “ensaiar” uma aeronave como esta. Como se trata de uma “desconhecida”, o fator “novidade” com certeza é um atrativo.
Quando decidi adquirí-la, foi este o pensamento. Sabendo da qualidade da PMDG, sendo um fiel cliente deste desenvolvedor, fui de olhos fechados e não me arrependi. Gostei bastante da aeronave e recomendo àqueles que gostam de voar por céus diferentes do nosso vasto mundo da simulação, com um avião bastante simples de operar, mas com uma boa tecnologia embarcada. A PMDG o criou mais por um apelo afetivo de seu fundador do que por necessidade do mercado, mas isso com certeza contribuiu para o nascimento de um produto muito bem feito, com detalhes jamais vistos no FS e que sem dúvidas pode garantir horas de diversão.
A qualidade do add-on eleva o padrão dos produtos para FSX, pois apresenta boas novidades em termos de desenvolvimento e se este JS41 serviu de “laboratório” aos novos lançamentos, é empolgante o que está por vir!

conclusão



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