Data: 05/09/1999
Conhecem o Catalina? É certamente clássico, não? Um valente filho dos céus e da água que desbravou mundo, levou cartas, mudou vidas... Conhecem o Sopwith Camel? Bem, este conhecem, mas talvez só porque seja default no Flight Simulator. Alguém já ouviu falar do Potez 25 TOE A-115, biplano utilizado pelas forças legalistas durante a revolução de 1932? Alguém se lembra do Stuka, o valente e rústico bombardeiro da Luftwaffe? Tudo bem, podem alegar que este avião não voou por aqui e que então não tem motivos para conhecê-lo. Mas já ouviram falar do Taylorcraft? Sabem o que é Stinson? E o que é que quer dizer, por acaso, PT-19? Infelizmente são poucos os freqüentadores de aeroclubes de hoje que já ouviram falar no piloto Bertelli e suas histórias...
Bem, todos estes nomes e letras estranhos representam o passado, um passado que é o pai do presente no qual vivemos. Como podemos ignorá-lo assim tão displicentemente? Muitos de nós passam o tempo todo pensando nos últimos modelos de Airbus, ou então nos caças de 4º geração e seus respectivos sistemas eletrônicos, totalmente automatizados. No Flight Simulator também ocorre algo que é absolutamente similar à aviação real: muitos não sabem mais voar sem o auxílio de um GPS, e já há os que, antes de aprenderem a voar um pequeno avião real, já estão dependentes de um FMS no simulador! Não que eu esteje despresando estas maravilhosas e preciosas tecnologias aeronáuticas, mas é que está faltando alguma coisa neste cenário.
Temos uma sede de futuro (tecnologia), e somos tão obcecados nisso que corremos por cima de nosso passado deixando-o jogoado ao acaso e esquecido. Mas é preciso trazê-lo conosco! O passado não é só um monte de tecnologia já ultrapassada, é a lição que foi usada para construir o presente e é o alicerce sobre o qual se erguerá todo o futuro. Por isso não podemos esquecê-lo.
Importantes lições podem ser aprendidas com as histórias do passado, e de fato o são. E isto tudo fora o fato de que somente conhecendo nosso passado é que poderemos conhecer verdadeiramente nosso presente. Por isso é que é chegado o momento de pensarmos mais seriamente em nosso passado aeronáutico e trazê-lo à tona. As histórias, os aviões...
Na aviação virtual podemos iniciar isto com mais textos a respeito, e também por uma atenção maior dos criadores de aeronaves em criar aviões antigos e raros. E na vida real, apesar de, claro, estarmos sempre atentos às ultimas novidades tecnológicas e às mais recentes lições de pilotagem, não podemos de maneira alguma esquecer de vasculhar nosso passado.
Assistimos agora ao nascimento da ABAAC, Associação Brasileiras de Aeronaves Antigas e Clássicas, que surgiu a pouco tempo visando salvar e preservar o passado aeronáutico de nossa nação. E eles estão neste momento à procura de mais sócios para ganhar força nesta luta de preservação e também para que se possa, através de um maior número de pessoas, descobrir onde e em qual estado de conservação estão os tantos aviões clássicos que hoje abrigam anônimos algum velho hangar pelos confins de nosso país. É um trabalho de suma importância e ao qual devemos nos mobilizar. Quem desejar maiores informações sobre a associação pode entrar em contato direto com o pessoal da ABAAC pelo telefone (11) 834-2484 ou então pelo e-mail abaac@uol.com.br. É um primeiro passo que damos pelo passado para andarmos mais seguros em direção ao futuro!
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